A Dois é mais gostoso e Muito Bom!

A Dois é Muito Bom!

Praticar exercícios com a parceira ajuda a manter a motivação em alta para treinar, a turbinar o shape e a fortalecer a relação
Por Jason FeiFer

Eu tinha 24 anos e era magrelo a primeira vez que me matriculei numa academia. Essa minha empreitada na musculação durou apenas oito meses, pois nunca fui muito fã de malhar. Mas isso teve que mudar quando pedi a Jen em casamento, uma corredora fanática por ioga que abandonou as duas atividades pouco depois que começou a namorar comigo. Quatro meses antes do matrimônio, percebemos que se não começássemos a treinar para endurecer nossos corpos moles iríamos passar vergonha diante dos convidados, e exibir nossa pior forma física num dos dias mais importantes de nossas vidas. Foi então que fizemos um pacto: ajustar as agendas e começar a fazer exercícios juntos. Veja a seguir as táticas para nosso plano dar certo e como isso ajudou a nos tornarmos um casal mais unido e sarado.

Compartilhe metas

A ideia inicial de frequentarmos a academia juntos era dividir a culpa caso um de nós fracassasse. Mas o fato de Jen e eu termos o mesmo objetivo – ficar em forma até a hora de subir no altar – também nos ajudou a manter a determinação para malhar. “Ao compartilhar metas, a pessoa se compromete não só com ela, mas também com a parceira. Um incentiva o outro nos momentos de dificuldade, elogia quando objetivos são alcançados. Isso mantém o foco e a motivação em alta”, diz Carla Di Piero, psicóloga do esporte que atua no Comitê Olímpico Brasileiro (COB). “Com a parceria, o apoio e a diversão durante os exercícios, o casal ainda tem experiências e sensações positivas que fortalecem a relação”, completa.

Esteja sempre por perto

Assim que voltei a malhar, lembrei do que eu menos gostava na primeira vez que frequentei a academia: os caras mais fortes. Eu achava que eles riam do pouco peso que eu levantava e me sentia desconfortável. Mas com Jen por perto era diferente. Ter alguém conhecido realizando os exercícios comigo fez crescer uma surpreendente calma dentro de mim, e aumentou minha autoconfiança. Isso pode ser explicado pelo seguinte fato: pessoas que fazem exercícios com as parceiras se sentem mais confortáveis, alegres e com mais energia para praticar atividades físicas do que aquelas que se exercitam sozinhas, diz estudo realizado pela Universidade de Santa Clara (EUA). A companhia da Jen também serviu para evitar uma coisa que me irrita na academia: alguém pegar o aparelho que estou usando só porque parei para descansar. Nós dominávamos os equipamentos. Enquanto um se recuperava, o outro malhava. Assim, ninguém nos atrapalhava.

Faça tudo junto

Realizar trabalhos de força era desafiador e me mantinha interessado no treino. Já os alongamentos eu achava algo chato e lento. Queria pular essa parte. Só que Jen ama esse tipo de exercício, e logo incorporou alguns movimentos de ioga na nossa série. Como combinamos fazer tudo juntos, eu não podia simplesmente deixá-la saudando o sol sozinha e ir levantar pesos. Precisava ficar ali, e comecei a fazer ioga… Depois de algumas semanas, os alongamentos deixaram de ser uma tortura. De fato, executá-los era ótimo e ajudou a melhorar meu desempenho e evitar lesões. Se Jen não estivesse lá, talvez eu nunca aproveitasse os benefícios desses exercícios. “Treinar em casal permite que você reconheça na parceira alguns pontos fortes e os use para aprimorar suas deficiências”, diz Julio Mariano, personal trainer da academia Reebok, em São Paulo. “As mulheres, por exemplo, costumam ter mais mobilidade, flexibilidade, qualidade na execução dos movimentos e tolerância a dor. Já os homens possuem mais força e desenvolvimento muscular”, afirma. “Mas não adianta querer que a parceira faça tudo na mesma intensidade que você, ou vice-versa. É importante respeitar a individualidade e os limites de cada um, para não acabar desestimulando a companheira”, completa Pedro Ernesto Sales de Souza, treinador da academia Body Tech, em São Paulo.

Dê sempre feedback

Um dia, Jen olhou para mim enquanto eu executava um afundo e perguntou: “Você está fazendo certo?”. Nem liguei, pois realizávamos esse exercício da mesma maneira há semanas. Depois, fui conversar com nosso treinador, Derek Peruo, especialista em força e condicionamento físico, dos Estados Unidos, e descobri que estávamos fazendo o movimento completamente errado. Peruo afirma que uma das grandes vantagens de malhar com a parceira é o retorno que um pode dar ao outro. “Um feedback como `você está se saindo muito bem¿ pode servir para motivar; já um `deixe suas costas retas¿ ajuda para que o exercício seja realizado de forma correta.”

Abra exceções

Certa manhã, depois de um mês malhando, sentei sem camiseta na cama enquanto esperava Jen se arrumar para irmos treinar. Ela me olhou e disse: “Uau! Você já ganhou músculos!”. “Sério?”, perguntei, checando se era verdade. “Eu gosto deles”, falou minha noiva. “Você realmente quer ir na academia hoje, ou podemos simplesmente… ficar na cama?”, sugeriu ela. As intenções de Jen eram claras: o trabalho aeróbico seria realizado em casa naquele dia. Tudo bem, às vezes não há problema em matar um treino.

Após três meses, nosso casamento chegou. Do altar, vi Jen andando em minha direção de vestido branco. Os fotógrafos tiravam fotos e a confiança dela era alimentada por um corpo forte e belo, que a fazia sorrir de orelha a orelha. Na festa, sobrou fôlego e dançamos como loucos. Ali, percebi que cada alongamento, cada exercício e cada segundo na academia com minha parceira valeram a pena.

Enquete MH*

57% dos leitores* malham com a parceira

* Pesquisa realizada com 185 leitores no site da MH entre 7 e 22 de janeiro

37% (a maior parte)acham que treinar com a parceira aumenta a motivação

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